Os ponteiros caminham devagar, as horas não passam e os dias nunca terminam. Léo espera chegar o dia, mesmo sem saber que dia será esse.
Sem chão. Léo anda. De lá pra cá, de cá pra lá. Sem parar. Não consegue fixar o pensamento em nada.
O futebol se tornou algo supérfluo para Léo. O cinema, uma paixão banal. E dos livros não chega mais perto.
Viver se tornou angustiante. Léo não sente sono. Apesar do enorme desejo de dormir.
Conversar ajuda a esquecer. Mas Léo não esquece. E toda conversa uma hora acaba. Aliás, o que aprendeu é que tudo tem fim.
É preciso esquecer tudo, mas só restam lembranças a Léo. Lugares, objetos, músicas. Cheiros, texturas.
Léo também tenta afastar os planos que havia feito. Resta-lhe apenas o presente, que não deixa de ser uma sombra do passado.
O dia chegou. A morte veio. Léo dormia. O relógio marcava 19:23. Era 17 de maio.
1 comentários:
Engraçado como nunca esperamos o fim. Até sabemos que virá mas não esperamos tão logo.
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